Desde Portugal con amor (2) A INFEÇÃO

Levanto.me em euforia
vou logo lavar as mãos;
vinte segundos e, calma,
para aguentar outro dia,
desinfeto a própria alma.
Mente sã em corpo são!

E tomo o pequeno almoço
em frente da televisão;
enquanto oiço o noticiário
debito, trémula ,um Pai Nosso,
pela minha salvação.
Mas adivinho o fadário
desta grave situação.
Valham-me os céus, que aflição,
porque mexi no comando
ao carregar no botão;
e lá saio eu disparada
pra lavar de novo as mãos!

Ainda me dá um achaque
que me pára o coração;
se vem o vírus que ataque
com a malfadada infeção.
Ai que já me falta o ar
e se me aperta o pulmão.
Quem me poderá salvar
antes que me estatele no chão!?

Toca o telefone outra vez,
depois vou lavar as mãos.
Depois uma, duas, três,
e o telefone não pára
Mas, e o próprio teclado
não pode estar infetado?
E já com um certo enfado
disparo a lavar as mãos!

Vou para o computador
cujas teclas desinfeto;
Ali leio no meu correio
Muitas mensagens de afeto.
E ninguém está chateado
por estar em casa fechado,
porque é por um bem maior
fazemo-lo com amor!

Mais tarde me vem á mente
que logo pela manhã,
quando limpei o teclado,
não desinfetei o ecran…
E volta a faltar.me o ar,
valha-me Deus que aflição,
será que me vou safar
da maldita da infeção?’
É hoje o meu último dia?
Vai parar-me o coração!

E enquanto caio e não caio…
vou mas é lavar as mãos!
………………FIM…………..

PS – Fiquem  em casa
Não rima mas é o melhor!


Conceição Areias
 Abril/2020

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